Era uma madrugada chuvosa de um junho que fora integralmente frio. Uma dor do estômago me fez perceber uma fome de 6 horas. Fui para a cozinha, recheei um pão com uma mortadela escura e bebi uma xícara de café que mais se parecia com uma caneca cheia de calorias.
Foi aí que eu me peguei pensando em você! Sempre pensando em você.
O pão com mortadela foi devorado e o café já não era mais quente. Sentei-me na mesa, olhei pela janela... A noite continuava chuvosa e eu ainda pensava em você!
Decidi, então, que de nada adiantaria ficar ali, naquela cozinha fria, pensando e refletindo sobre coisas, pessoas e fatos que estavam fora do meu alcance de resolução.
Subi, vesti meu pijama de flanela, escovei meus cabelos e dentes. Antes de subir, roubei uma sulfite e uma caneta. Já sentia que seria um dia de fugas da realidade através da minha literatura pobre. Sentei-me na cama de meus pais, apoiei a sulfite em um guía da cidade que, por sua vez, estava apoiado no travesseiro que esquentava meu colo.
Escrevi. Escrevi de um passado que se parecia mais com um presente; e de um presente que eu gostaria que fosse um passado. Escrevi... Me imaginei escritora e contei a história detalhada daqueles poucos minutos da madrugada fria e chuvosa do 3 de junho de 1967 em que resolvi tomar meu café e acabei por pensar em você. Única e exclusivamente em você!
Escrevi enquanto escutava uma música que me passava uma indescritível sensação de nostalgia. Então, chorei! Chorei por mim e pelos outros. Chorei apenas.
Que noite fria! “Mais frio está aqui dentro... mais frio” – Pensei.
Meu pão com mortadela fora digerido, meu café frio acabara, meus dentes e cabelos estavam escovados, minha música tocava, minha literatura estava feita e a chuva não caía mais...
O dia já amanhecia, mas continuava frio!!! E eu ainda pensava em você!
Sempre em você!
quinta-feira, novembro 06, 2008
Assinar:
Postagens (Atom)